segunda-feira, 8 de abril de 2013

Luto - Morre Alceo Bocchino - Música

Neste domingo, 07 de abril de 2013, perdemos o Maestro Alceo Bocchino.



Maestro, compositor e pianista brasileiro Alceo Bocchino, nasceu em Curitiba no ano de 1918 e morava no Rio de Janeiro desde 1946. Músico de altíssima competência e com uma audição absolutamente perfeita Bocchino foi fundador e maestro de diversas orquestras. A função mais importante que teve foi a de fundador e diretor musical da Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC (atual Orquestra Nacional/UFF), um projeto sancionado pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Mas Bocchino atuou também como maestro titular da Orquestra Sinfônica Brasileira de 1963 a 1965.

Foi assistente do maestro Eleazar de Carvalho na Orquestra Sinfônica Brasileira e presidente da Comissão Artística, regendo a orquestra por quatro anos. Participou nos anos 60 e 70 de diversos cursos no exterior, em que regeu concertos com a Orquestra Sinfônica de Bilbao (Espanha) e a Orquestra Filarmônica de Burgás (Bulgária).

Foi ele, junto com o grande pianista húngaro György Sándor, a executar pela primeira vez no Brasil os três concertos para piano de Bela Bartók. Foi também o regente da tardia estreia brasileira do Réquiem de Brahms, e o responsável pela estreia do Quinto concerto para piano e orquestra de Villa-Lobos com a célebre pianista Felicja Blumenthal.

Antes de completar 5 anos ouviu um vizinho tocando piano e pediu para aprender, pedindo insistentemente até que os pais conseguissem um instrumento para a sala de casa.  "Roubava a chave do piano e ficava tocando quando todo mundo saía de casa. Um dia levei um tombo da cadeira e só aí descobriram o que eu fazia durante as tardes".

Aluno de Regência de Eleazar de Carvalho e de composição de Camargo Guarnieri, sua fase mais produtiva coincidiu com sua mudança para o Rio de Janeiro, onde travou conhecimento com grandes compositores. Acompanhou Villa-Lobos em suas viagens ao Nordeste e amigo de Francisco Mignone. Foi Professor de Tom Jobim e responsável pelas primeiras audições de Radamés Gnattali.

Foi um dos dois principais colegas e colaboradores musicais de Villa-Lobos, juntamente com Vieira Brandão, trabalhando como revisor e executor ao piano, geralmente à primeira-vista e a partir de grades orquestrais extremamente complexas, das obras recém-escritas por Villa-Lobos. Por esta capacidade notável de ler e reduzir as partituras instantaneamente, Villa-Lobos lhe chamava carinhosamente de "Cachorrão", segundo relato do próprio Bocchino.

Paralelamente à sua carreira de músico, Bocchino se dedicou à carreira de Direito, formando-se em 1939. Como educador foi fundador e professor titular da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, ministrando aulas de diversas matérias teóricas; no Conservatório de Santos deu aulas de Fisiologia Vocal e Coral. Foi professor de composição e regência da Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro aonde formou alunos como Maximianno Cobra. Bocchino se destacou durante sua atuação na rádio na década de 1950:

“Adaptou-se muito bem ao novo veículo e aprendeu métodos de orquestração, passando a dominar o ofício de regente. Na Record regeu ao vivo a Canção dos Expedicionários em homenagem aos pracinhas que voltaram da II Guerra.

Casou-se com a Sra. Ida Teitelroit nos anos 40, com quem veio a ter duas filhas: Gulmara Beatriz e Rosalba Esther.

Com múltiplos talentos musicais - sendo, ao mesmo tempo, um prodígio do piano, habilíssimo arranjador , inspirado diretor musical e compositor - decidiu-se pela carreira principal de maestro de orquestra, com forte influência e apoio de sua esposa Ida Teitelroit Bocchino.

Na Rádio Mayrink Veiga foi arranjador de Carlos Galhardo, Orlando Silva, Sílvio Caldas e Nelson Gonçalves.

Na Nacional, em 1956, orquestrou e dirigiu, com Paulo Tapajós, o programa Quando os maestros se encontram, uma espécie de duelo ao vivo em que cada um mostrava suas aptidões musicais. Entre as presenças marcantes, figuravam Radamés Gnatalli, Léo Peracchi e o então novato, Tom Jobim.

Em 1974 viajou pela Europa com a Orquestra Sinfônica Brasileira, realizando concertos com grande sucesso de público e crítica. De volta ao Brasil, participou de diversas apresentações com orquestras brasileiras. Em 1981 representou o Brasil na Universidade de Maryland, como regente do concerto inaugural Stravaganza Musicale, tendo como solistas vinte pianistas, no 11º Festival e Concurso de Piano.

Em 1989 participou da montagem da ópera Tosca, uma produção do Teatro Guaíra.

Era ocupante da cadeira 37º da Academia Brasileira de Música.

Morreu aos 94 anos, de falência múltipla de órgãos, em sua residência em Copacabana, Rio de Janeiro/RJ. Foi sepultado no mesmo dia, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Referências:

Gazeta do Povo
Wikipedia
O Globo
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