sábado, 26 de maio de 2012

Video - Shubert - A Truta - Lied (legendado) e Quinteto - Poema

Intérprete: Ian Bostridge

 Ian Bostridge é um tenor inglês de bastante sucesso.Concluiu um pós-doutoramento em História no Corpus Christi College, em Oxford, antes de se dedicar à carreira de cantor. Apresentou-se em recital nos festivais de Salzburgo, Edimburgo, Munique, Viena e Aldeburgo, e nas Schubertiade Schwarzenberg e em 1999 estreou um ciclo de canções escritas especialmente para ele por Hans Werner Henze. Em 2004-05 partilhou o ciclo «Carte-Blanche» com Thomas Quasthoff no Concertgebouw de Amesterdan, em 2005-06 teve o seu próprio ciclo «Perspectives» no Carnegie Hall e em 2008 no Barbican, em Londres.

Ian Bostridge estreou-se no palco de ópera em 1994 como Lysander, em Sonho de uma Noite de Verão de Britten, no Festival de Edimburgo. Ian Bostridge apresenta-se em concerto com as mais importantes orquestras mundiais, sob a direcção de maestros de renome, como Sir Simon Rattle, Sir Colin Davis, Sir Andrew Davis, Seiji Ozawa, Antonio Pappano, Riccardo Muti, Mstislav Rostropovich, Daniel Barenboim, Daniel Harding e Donald Runnicles.

As suas gravações incluem o ciclo A Bela Moleira de Schubert, com Graham Johnson (Prémio Gramophone, 1996); Tom Rakewell (The Rake’s Progress), com Sir John Eliot Gardiner (Grammy, 1999); e Belmonte (O Rapto do Serralho), com William Christie. No âmbito do contrato de exclusividade com a EMI Classics, gravou Lieder de Schubert e Schumann (Prémio Gramophone, 1998); canções inglesas e Lieder de Henze, com Julius Drake; Our Hunting Fathers de Britten, com Daniel Harding; Idomeneo, com Sir Charles Mackerras; e canções de Janá?ek, Schubert, Noel Coward e Wolf. Para a EMI/Virgin, gravou Cantatas de J. S. Bach, com Fabio Biondi, The Turn of the Screw (Prémio Gramophone, 2003) e Blilly Bud (Grammy, 2010).

Em 2001 foi nomeado membro honorário do Corpus Christi College de Oxford e em 2003 recebeu um Doutoramento Honoris Causa em Música pela Universidade de St. Andrews, na Escócia. Nas New Year’s Honours de 2004, foi condecorado Commander of the Order of the British Empire

Lied: Die Forelle (A Truta)

Uma das mais famosas lieds de Shubert, composta em 1817, seu famoso tema foi utilizado em diversas composições posteriores, sendo a mais importante é o quinteto "A Truta", onde o tema surge, com variações, no quarto movimento.

  O talento de Schubert manifesta-se particularmente no lied. Num folheto da Gulbenkian, explicativo do programa de um concerto realizado no auditório da Fundação no passado dia 31 de Janeiro e dedicado ao compositor, escreve-se:

A necessidade de exprimir a sua sensibilidade intensa levou Franz Schubert a canalizar grande parte da sua energia criativa para o lied. O compositor concebia este género musical como aquele que, antes de mais, permitia a expressão e reflexão natural dos sentimentos humanos, marcando, com a ênfase nesse aspecto, um afastamento em relação às anteriores abordagens a este género.

A truta é seguramente um dos lieder de Schubert mais conhecido. E exemplo de como o compositor consegue encantar o ouvinte tão facilmente. Do referido folheto:

Die Forelle [A Truta] ostenta uma música de grande vivacidade, manifestada no carácter do acompanhamento do qual se destacam os movimentos em sextinas (de que faz uso sobretudo a mão direita) e na melodia saltitante que ilustra a truta a brincar no regato e a chegada de um pescador. Coincidindo com o momento dramático da captura da truta, a peça muda de forma súbita o seu carácter. Assim, este lied constitui um exemplo claro de alguns dos procedimentos tipicamente schubertianos, como a exploração de contrastes de tonalidades para sublinhar sentimentos ou ambientes distintos (neste caso realizando o percurso modo maior – modo menor), e de um suporte pianístico indispensável para a ênfase desses mesmos sentimentos.
Abaixo, a letra original e a tradução, da responsabilidade da Gulbenkian:

Die Forelle
(Christian Schubart)

In einem Bächlein helle,
Da schoss in froher Eil
Die launische Forelle
Vorüber wie ein Pfeil.
Ich stand an dem Gestade
Und sah in süsser Ruh
Des muntern Fischleins Bade
Im klaren Bächlein zu.Ein Fischer mit der Rute
Wohl an dem Ufer stand,
Und sah's mit kaltem Blute,
Wie sich das Fischlein wand.
So lang dem Wasser Helle,
So dacht ich, nicht gebricht,
So fängt er die Forelle
Mit seiner Angel nicht.Doch endlich ward dem Diebe
Die Zeit zu lang. Er macht
Das Bächlein tückisch trübe,
Und eh ich es gedacht,
So zuckte seine Rute,
Das Fischlein zappelt dran,
Und ich mit regem Blute
Sah die Betrogene an.
A Truta

Num límpido riacho,
Movia-se alegremente
A truta caprichosa,
Rápida como uma flecha.
Da margem eu seguia,
Em doce tranquilidade,
O banho do alegre peixe
No riacho transparente.

Um pescador com a sua cana
Colocou-se na margem,
Olhando, com sangue-frio,
Os serpenteios do peixe.
Enquanto a água estiver clara,
pensei eu,
Ele não apanhará a truta
Com o seu anzol.

Mas, por fim, o ladrão,
Impacientou-se. Perfidamente
o ribeiro turvou,
E num instante,
A sua cana estremeceu,
Com o peixe a debater-se nela,
E eu, com o sangue a ferver,
Olhei a criatura enganada.

Escrito em Steyr em 1819, o seu famoso Quinteto para piano em lá (A Truta) (D.667), surpreende seus amigos ao transcrever as partes sem consultar a partitura.

Schubert: Quintet in A, D667 "Trout" 
I Allegro vivace 
II Andante
III Acherzo (Presto)
IV Thema mit Variationen (Andantino)
V Finale: Allegro giusto
Amadeus Quartet e Clifford Curzon, piano 
Aldeburgh 1977

 Compositor: Franz Schubert

 Franz Peter Schubert (Himmelpfortgrund, subúrbio de Viena, 31 de Janeiro de 1797 — Viena, 19 de Novembro de 1828) foi um compositor austríaco do fim da era clássica, com um estilo marcante, inovador e poético do romanticismo.Morreu sem quaisquer recursos financeiros com a idade de 31 anos. Hoje, o seu estilo considerado por muitos como imaginativo, lírico e melódico, faz com que seja considerado um dos maiores compositores do século XIX, marcando a passagem do estilo clássico para o romântico. Podemos defini-lo como "mais um artista incompreendido pelos seus contemporâneos". 

O lied alemão não seria, de forma alguma, o mesmo sem Schubert. Em geral, as suas obras são marcadas pelo paradigma da canção. Num ano, compôs cerca de 150 "lieder", baseados em textos de Shakespeare, Heine e Goethe, entre outros autores. Essas canções fariam um enorme sucesso no público e da crítica, ao ponto do seu autor ter sido considerado, posteriormente, o maior poeta lírico da música universal. 

Fontes: Portal São Francisco; Wikipedia; Ai Jesus!


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