domingo, 25 de setembro de 2011

Poesia - Soneto CXCIII - Luís de Camões



 CXCIII 

Erros meus, má Fortuna, Amor ardente

Em minha perdição se conjuraram;

Os erros e a Fortuna sobejaram,

Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente

A grande dor das cousas que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Autor: Luís de Camões
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