domingo, 10 de julho de 2011

Liszt 200 anos - Hungaria - Crítica - Vídeos

Uma terça-feira fria e úmida. Perdido no Centro do Rio, fui ao CCBB e procurei a programação da noite. Uma grande fila na bilheteria indicava que o filme sobre Hitchcock lotaria a sala de exibição, mas não era aquilo que eu desejava ver. Olhando os cartazes encontrei uma conhecida caricatura do compositor húngaro Franz Liszt. Tratava-se do primeiro concerto do Projeto HUNGARIA! AS MÚLTIPLAS FACES DE FRANZ LISZT, ciclo de concertos em homenagem aos 200 anos de nascimento do compositor, a serem completados no próximo dia 22 de outubro.




Hungaria consiste de uma série de seis concertos em que cada um ressaltará um aspecto da obra de Liszt e foram denominados “O Poeta”, “O Cigano”, “O Virtuose”, “O Dramaturgo”, “O Abade” e “O Mefistófeles de Batina”. O nome escolhido, além de fazer óbvia referência ao país natal de Liszt, é o nome de um poema sinfônico composto por Franz Liszt em 1854. É o número 9 do seu ciclo de treze Poemas sinfónicos escritos durante o período em Weimar.

O programa deste primeiro concerto, O POETA, foi constituído de “Lieds” de Liszt, peças pouco conhecidas do público brasileiro. Não hesitei em comprar o ingresso (R$ 6,00 a inteira). A récita foi executada pela soprano Rosana Lamosa e pelo pianista Flávio Augusto.

O programa era composto de 10 canções compostas sobre poemas de Heine, Redwitz, Goethe, Victor Hugo e Petrarca e duas peças para piano solo (“Soneto 123 di Petrarca” em lá bemol maior e o Noturno nº 3 em lá bemol maior – conhecido como “Sonho de Amor”), que, executadas juntas após as primeiras cinco lieds serviram de “descanso” para a soprano.


Die Lorelei – a mais conhecida das lieds de Liszt – fez parte do programa.

O teatro não estava lotado, mas considerando-se as condições climáticas, o dia da semana e a baixa divulgação, o público pode ser considerado satisfatório.

Rosana foi excelente. Sua técnica apurada e sua voz doce e maviosa, forte e enérgica, ajustaram-se perfeitamente às necessidades interpretativas das composições de Liszt. Perfeita.

Flávio foi muito bem quando acompanhou Rosana. Quando solou, se não foi tecnicamente perfeito, acertou na interpretação e foi bem nos trechos mais importantes.

Tantos aplausos exigiram um “bis”, em que os intérpretes executaram uma versão cantada do Noturno “Sonho de Amor”. Simplesmente divino.

Um concerto excelente, mal divulgado, que não recebeu o público que merecia. Espero que os próximos concertos do projeto tenham melhor divulgação.

Os próximos concertos serão:



Dia 02.08 – O CIGANO

Dia 06.09 – O VIRTUOSE

Dia 04.10 – O DRAMATURGO

Dia 01.11 – O ABADE

Dia 06.12 – MEFISTÓFELES DE BATINA

Sempre às 12h30 e às 19h.

Ingressos: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia-entrada)

Bilheteria: de terça a domingo, das 09h às 21h

Mais informações no Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – RJ

Fone: 21 3808 2020



O HOMENAGEADO:



Franz Liszt nasceu em 22 de outubro de 1811 no vilarejo de Raiding (em húngaro: Doborján) no Reino da Hungria (então no Império Habsburgo, hoje parte da Áustria), no comitato de Oedenburg (em húngaro: Sopron). Foi batizado em latim com o nome "Franciscus", mas seus amigos mais próximos sempre o chamaram de "Franz", a versão alemã de seu nome. Era chamado de "François" em francês, "Ferenc", "Ferencz" ou "Ferentz" em húngaro; no seu passaporte húngaro de 1874, o nome registrado era "Dr. Liszt Ferencz". Seus pais eram Adam e Anna Maria Liszt.

Pianista virtuose, suas composições são consideradas dificílimas e sua incrível habilidade impressionou a Europa do século XIX de tal forma que são famosas as caricaturas da época retratando Liszt com múltiplos braços.



Em 1827, com a morte de seu pai, Liszt muda-se para Paris que, na metade do século XIX, é o centro do movimento romântico. Lá é apresentado à elite intelectual da cidade e toma contato com as modernas correntes da literatura francesa, o que contribui para sua formação intelectual, que, a partir daí, terá como base um caráter marcadamente literário, levando-o a buscar, como compositor, inspiração para suas obras na literatura e a utilizar, em suas peças para canto, textos de autores de excelência, como Petrarca, Goethe, Heine e Victor Hugo, entre outros



Franz Liszt improvisando ao Piano (1840)

Franz Liszt (1811-1886), pianista e compositor húngaro, toca para Alexander Dumas (pai), Aurore Dupin (George Sand), e a Condessa Marie d'Agoult (sentados), Hector Berlioz, Niccolò Paganini, e Giacomo Rossini (em pé). Um busto de Beethoven feito por Anton Dietrich se encontra sobre o piano e um retrato de Lord Byron está pendurado na parede. Pintura de Josef Danhauser, 1840.



Com uma carreira internacional de virtuose extraordinariamente brilhante e de constante nomadismo, viveu em Paris, França – centro de suas atividades na juventude e cidade na qual recebe influências tão diversas quanto determinantes na sua formação de pianista e compositor (lá tomou contato com as modernas correntes da literatura francesa, travou contato com Victor Hugo, Georges Sand, Berlioz, Chopin, Paganini e outros vultos notáveis da intelectualidade e das artes) –, Suíça, percorreu toda a Europa  desde Portugal até a Rússia, sempre com enorme triunfo, fixando-se  aos 37 anos em Weimar, cidade em que o virtuose cosmopolita dá lugar ao compositor fecundo (é lá que Liszt compõe a parte mais importante de sua obra), ao administrador  incansável e professor generoso.

A partir de 1858, divide-se entre Weimar, Budapeste e Roma, cidade onde expande e desenvolve seus sentimentos de religiosidade, que sempre o tinham acompanhado. Em 1861, vê fracassar, no dia em que completaria 50 anos, a tentativa de unir-se por laços matrimoniais à princesa Carolyne da Rússia. O Papa Pio IX se recusa a anular o primeiro casamento da princesa, impedindo sua união legal com Liszt. Numa crise profunda, Liszt afunda-se na depressão, deixa definitivamente Carolyne e busca refúgio no convento Madona do Rosário. Aos 54 anos, é ordenado abade. Nos últimos anos de sua vida, dedica-se de preferência à música religiosa, enquanto prossegue com sua carreira de professor e pianista, sendo acolhido com entusiasmo por onde quer que se apresente.

Liszt fez de seu gênio criativo um marco na História da Música. Podemos afirmar que sua obra e sua vida tornaram, sem dúvida, mais pulsante o século XIX.



 OS INTÉRPRETES:



Rosana Lamosa é hoje a mais importante soprano e maior expoente do canto lírico brasileiro. A carioca iniciou sua carreira internacional como solista do Stadttheater de St. Gallen, na Suíça. Excursionou pela Ásia e Austrália e, dentre as produções aclamadas pelo público e pela crítica, destacam-se: Il Guarany, em Lisboa; Armide, no Festival de Buxton, na Inglaterra; e Rigoletto, em Detroit.

Recebeu o Prêmio APCA de melhor cantora erudita, em 1996, e o Prêmio Carlos Gomes, em 1999 e 2002. Sua discografia inclui as Canções de Amor, de Cláudio Santoro, com Marcelo Bratke; a ópera Jupyra, de Francisco Braga, com a OSESP; as Bachianas Brasileiras nº5, de Villa–Lobos, com a Nashville Symphony Orchestra; e o CD com a obra de canto e piano de Gilberto Mendes.


(no video acima, Rosana na opera “La Fille du Regiment” de Donizetti)


Flávio Augusto: Natural de Poços Caldas (MG), o pianista iniciou seus estudos aos quatro anos de idade, tendo como professores os pianistas Homero de Magalhães, Gilberto Tinetti e Myrian Dauelsberg. Concluiu os cursos de Bacharelado em Piano e Licenciatura em Música pelo Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro. Em 1988 tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o 1º lugar do Concurso Internacional de Piano “Villa-Lobos”, no Rio de Janeiro. Em 1990, gravou o primeiro disco com os “Prelúdios para Piano” do compositor francês Claude Debussy. Fez também a primeira gravação mundial dos “50 Estudos para Piano” do compositor Johann Baptiste Cramer. Gravou os cds Arco & Tecla, com o violinista Ricardo Amado, e Impressões Brasileiras, com o violinista Daniel Guedes. É também integrante do premiado Trio Aquarius, com quem já gravou dois CDs dedicados a compositores brasileiros.



Referências:



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