sábado, 12 de março de 2011

12 de março - 81 anos do início da Marcha do Sal


Hoje trato de um dos movimentos populares mais bem sucedidos da história.
Em sua luta pela independência da Índia, Mahatma Gandhi protestou de diversas maneiras contra o colonialismo inglês e utilizou-se da não violência como o método mais eficaz.
A filosofia que ele desenvolveu incentivando todos a lutar pacificamente ficou conhecida como satyagraha, que tinha como princípios a busca da verdade absoluta, a não violência e o autocontrole.
Em suas falas ele exibe através dos dedos da mão seu programa de cinco pontos:
o   Igualdade entre os homens (fim das castas);
o   Nenhum uso de álcool ou droga;
o   Unidade hindu-muçulmana;
o   Amizade;
o   Igualdade entre homens e mulheres.
Esses cinco pontos, os cinco dedos representando o sistema, estavam conectados ao pulso, simbolizando a não violência.
Aqueles que põem em prática os princípios satyagraha nunca devem agir em segredo – eles devem espalhar seus planos e intenções. Isso explica porque Gandhi escreveu uma carta aberta ao lorde Irwin, vice-rei da Índia, pedindo o fim do imposto sobre o sal e explicando suas intenções antes de sair em marcha como forma de protesto. Gandhi poderia até mesmo ter sido preso por Irwin, mas era uma importante figura pública e Irwin sabia de antemão que prendê-lo seria como lançar uma faísca – o fato teria uma enorme e má repercussão. No lugar disso, Irwin simplesmente respondeu que lamentava Gandhi estar violando a lei e colocando em risco a paz pública.
Mahatma Gandhi informou ao vice-rei, de que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. “Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não violência, e assim lhes fazer ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas.” Gandhi decidiu desobedecer as “Leis do Sal” que proibiram os hindus de fazer seu próprio sal; este monopólio britânico golpeou especialmente aos pobres.
Com isso deu-se o início da Marcha do Sal.
A Marcha do Sal ou Satyagraha do sal foi um ato de protesto contra a proibição, imposta pelos britânicos, da extração de sal na Índia colonial. Mahatma Gandhi e outros 78 seguidores começaram a marchar de Sabarmati Ashram (mosteiro no Subúrbio de Sabarmati, uma das residências de Gandhi) em direção à Dandi, no Mar Arábico, para pegar um pouco de sal para si. Um número muito grande de indianos o seguiu, mas os britânicos nada puderam fazer contra isso, pois não havia incitado os outros a seguirem-no. A marcha ocorreu de 12 de março até 6 de abril de 1930.
Muitas outras pessoas se juntaram ao grupo durante a jornada de 400 km. Andando cerca de 16 a 24 km por dia, Gandhi alcançou o seu destino em 24 dias.
Durante a marcha, ele parou em várias aldeias procurando convencer funcionários do governo a pedirem demissão em forma de protesto além de encorajar outras pessoas a se unirem à manifestação de forma não violenta.
No dia 6 de abril, depois do banho, um ritual sagrado para os hindus, Gandhi apanhou um punhado de sal à beira-mar. Outras fontes dizem que Gandhi e, então outros juntaram um pouco de água salgada na beira-mar em panelas, deixando ao sol para secar. Seu gesto foi repetido simbolicamente por milhares de indianos do litoral. Em resposta à provocação, os ingleses prenderam mais de 50 mil indianos, entre eles o próprio Mahatma Gandhi.
Em Bombaim o Congresso teve panelas no telhado; 60.000 pessoas juntaram-se ao movimento, e foram presas centenas delas. Em Karachi onde 50.000 assistiram o sal sendo feito, a multidão era tão espessa que impedia a polícia de efetuar alguma apreensão. As prisões estavam lotadas com pelo menos 60,000 ofensores. Incrivelmente lá “não havia praticamente nenhuma violência por parte da população; as pessoas não queriam que Gandhi cancelasse o movimento”.
Gandhi foi preso antes de que pudesse invadir as Salinas Dharasana, mas seu filho Manilal e o seu amigo Sr. Sarojini Naidu conduziram 2.500 voluntários e os advertiram a não resistir às interferências da polícia. Eles caminharam até as salinas ao norte de Bombaim. Aproximaram-se em silêncio dos depósitos de sal, guardados por 400 policiais que investiram contra eles com cassetetes. O "exército da paz" foi tombando, sem esboçar um gesto de defesa.
De acordo com uma testemunha ocular, o repórter Miller de Webb, eles continuaram marchando até serem detidos pelos policiais. Cada coluna silenciosa que avançava era igualmente abatida. Uma última coluna sentou-se no chão e foi atacada com golpes de cassetete e pontapés.
O frágil Gandhi, de 61 anos, não precisava ter andado. Ele poderia ter ido de carro ou de trem para coletar o sal no mar. Mas ele sabia o que estava fazendo. A sua marcha foi um protesto simbólico para atrair a atenção da mídia além de servir de inspiração para outras ações mais do que qualquer coisa. Muitos historiadores de hoje em dia consideram esse como o ato mais poderoso de Gandhi. Logo em seguida foi firmado o pacto Gandhi-Irwin que permitia às pessoas coletarem e fabricarem o sal.
O componente social de sua marcha deixou claro que batalhava pela justiça social em um nível mais elevado. Sua meta central era evitar a violência. Usando da desobediência civil, pretendia chamar a atenção para as injustiças na legislação e na sociedade colonial.
Fontes:
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