sábado, 5 de junho de 2010

Devaneios e Reflexões



Devaneios e Reflexões

O andar e o cantar são o melhor da vida, mas o que dá sentido a tudo isso é o amor, pois sem que haja a paixão, a emoção comandando o nosso agir humano, tudo fica insosso e sem sentido.

Quando falo em amor não me refiro ao sentimento que um homem se entrega a uma mulher e vice-versa; falo da dedicação, do prazer em agir, da realização de fazer algo bem feito, de concluir aquele projeto ou alcançar aquele objetivo que pusemos como meta, seja caminhar até determinado lugar ou conseguir atingir com perfeição determinada nota ou cantar com perfeição determinada melodia.

Isso pode ser verdade a espíritos artísticos ou altruísticos, mas não é uma regra geral. A verdade do último parágrafo está em que é preciso amor em tudo o que se faz; seja andar, cantar, dançar, escrever, trabalhar, estudar, orar... enfim; todas as atividades cotidianas. Até mesmo o ato de amar, amar o amor.

O trabalho talvez seja o que de mais importantes tenhamos que amar. “Viva o trabalho” dizia Joana D’Arc. “Quem não trabalha não merece o que come” diz São Paulo.

Amar o trabalho não é ansiar por seus frutos, por seus resultados. É sentir-se satisfeito em cumprir suas obrigações tão somente. “Trabalhar e renunciar aos frutos de seu trabalho”, como diz o Tao Te Ching e o Bhagavad Gita. Isso, com certeza, é o mais difícil de se fazer.

Amar o trabalho, trabalhar com afinco, é realmente fácil, especialmente quando se faz o que se gosta; mas renunciar aos frutos?!? Não ansiar pelos resultados?! Como? Como conseguir se esforçar por algo e depois, simplesmente ignorar o que se obteve? Como lutar por algo e, uma vez alcançado o objetivo, deixar o resultado como “dádiva ao mundo”?! Essa é, talvez, a maior dificuldade que nosso egoísmo, nosso egoísmo humano e material, impõe naturalmente ao nosso caminhar.

Só quando conseguirmos esse desprendimento verdadeiramente seremos livres de nós mesmos. E então poderemos cantar, despreocupadamente, como crianças felizes a caminho de casa. Andando e cantando... realmente é o que há de melhor no mundo.

Autor: Alexandre Antonio Coutinho Faria
João Pessoa, 22/11/2007 (14h10min, escrito em um guardanapo durante o almoço).
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