sábado, 28 de fevereiro de 2009

Poesia - SONHO II

SONHO II

À amada nereida que se apossou de meu coração:


Outro sonho tive
Por tanto te amar,
Portanto não me detive,
Decidi te contar.

Estava em um navio,
Em pleno alto mar,
Que durante uma tempestade
Começou a afundar.

Jogo-me ao mar,
Começo a nadar.
Consigo escapar
Do navio a afundar.

Noite e dia, até não poder mais,
Continuo eu a nadar,
Mas as forças venho a perder,
Começo a me afogar.

Mas antes da consciência perder,
Sinto alguém a me puxar.
Alguém me leva consigo.
Este alguém vai me salvar.

Quando a consciência me retorna,
Ouço alguém a cantar.
Abro os olhos e olho em torno,
Mas só vejo um vulto para o mar voltar.

Peço-lhe que pare.
Ele para e se vira.
Meu coração dispara
E minha alma suspira.

Era uma sereia,
Mas não uma qualquer,
Pois ela era a mais bela,
Era quem minh'alma quer.

Eras tu, mais bela das belas!
Eras tu, meu anjo de luz!
A sereia que salvou meu coração,
A sereia mais bela que supus.

Meu coração foi arrebatado,
Não apenas por beleza.
Tua alma que é pura,
Das plumas possui maior leveza.

Com incrível melodia
Tua voz me encantou
Não há melhor harmonia
Que dizer: "A amar-te estou"

De repente, então,
Por divina magia,
Veio algo à visão,
Que só um deus faria.

Tu brilhavas,
Ao mesmo tempo em que cantavas
As mais belas canções da primavera,
Aos poucos humana te tornavas

Por trás de ti, Netuno
Sorrindo para nós dois,
Prometendo-nos voltar
E abençoar-nos depois.

Abraçamo-nos com ternura e amor
Tive coragem de te perguntar
"Casas-te comigo?"
E então ouvi tua voz maviosa falar

A mais bela resposta
Que se pode dar
"Sim" tu disseste
E não pude evitar

Em um beijo de amor
Fui-te envolver.
Amo-te mais que a vida.
Terminei por dizer.

Despertei repetindo o falar
E em tal estado de enlevo,
Que minh'alma estava a voar
Por entre o paraíso do céu e as delícias do mar

De um reles mortal que idolatra sua divina deusa imortal,


Autor: ALEXANDRE ANTONIO COUTINHO FARIA

Escrito em março de 1996

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