sábado, 28 de fevereiro de 2009

Poesia - SERENA DEUSA

SERENA DEUSA

As belas vozes de um perdido outono não fizeram mais do que aumentar minha admiração por sua bela voz da Primavera.
Para o mais belo pássaro do Universo uns poucos e humildes versos de um indigno apaixonado:



Corria por uma floresta
Coberta de névoa e escuridão.
Fugia de perigos com temor,
Fugia para salvar meu coração.

Arfante, chego à uma clareira
De onde não vejo saída.
Ouço um sussurro distante
E temo vê-la caída.

Dirijo-me a direção do som
Correndo o mais que pudesse
Vejo a minha frente o céu
Rezando enquanto anoitece

Uma nova clareira encontro,
Mas esta continha tanta luz,
Ao contrário do resto da floresta,
Tão clara que o sol ali supus.

Mas não era o sol que me ofuscava
Nem da escuridão me libertava
Eras tu, Serena Deusa
Tu, a quem meu coração sempre amava.

Eras tu a quem meu coração sempre amou
Eras tu a quem meu coração sempre amará
Sinto-me cair aos seus braços,
Sinto que teu amor me salvará.

Quando de ti me aproximo
Sinto uma paz me invadir,
Sinto que és a mais bela das deusas
E tão pura que não deixará meu coração se partir.

Sinto-me calmo e seguro
Como se divina magia me enchesse de paz.
Esqueço os perigos que me rodeiam,
Esqueço o perseguidor que deixei atrás.

De repente adormeço
E me sinto voar,
E, em belo sonho
Fui-a sonhar.

Quando desperto,
Eis minha surpresa:
Não vejo-a por perto,
Não sinto tua leveza.

O orvalho ainda brilha,
Meu coração a suplicar
Que se ache uma trilha
Para que eu possa te encontrar.

A floresta, outrora escura,
Agora é límpida e clara,
Porém não me alegra
Não encontrar quem me salvara.

Cambaleante, da floresta saí
A procura de ti, minha deusa serena,
Pois estava de tal maneira encantado por ti,
Por uma magia tal qual de deusa morena.

Escurecia e eu ainda a ti não encontrara.
Julgava que a ti não mais veria,
Que meu coração doeria,
Que minh'alma se partiria.

Entretanto, quando vi o crepúsculo,
Quando vi o laranja o céu tomar,
O rubro no céu dos ruivos cabelos,
O verde dos olhos no plácido mar.

Novamente avistei-a
E recuperando as forças
Corri a ti, símbolo do amor
Símbolo sagrado que livra de forças

Livra a alma
Livra o coração
Porque teu amor
Provoca o perdão

Unimo-nos então
Em um enlaço de amor;
Em um beijo de calor
Que ofusca a escuridão.

Noto que sua doce alma
Transfigurada em divindade
Seria para sempre, deste humilde mortal
O alimento d'alma e a felicidade

Percebia eu então
Que Deus um teste havia feito,
Para que eu provasse
Que nosso amor é perfeito.



Autor: ALEXANDRE ANTONIO COUTINHO FARIA

Escrito em março de 1996

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