sábado, 28 de fevereiro de 2009

Poesia - EROS E OS PASTORES

EROS E OS PASTORES


À mais bela das belas, àquela que possui minha alma, à minha Galatéia:


Hoje olho pelas brumas de minha janela.
Pelas montanhas vejo dois pastores
E os invejo, pois ele os cabelos dela anela
Estão juntos, felizes, feridos por Amores

Amor? Seria este o seu nome?
Não o é Cupido? O romano assim o disse
Mas Ele a mim ordena que o grego tome
Que de Eros e Anteros os chamasse.

Gêmeos sempre unidos a brincar
Parecem com o desespero se divertir
Um deles teimou em me acertar
Às vésperas do partir

E quando este me acertou
Olhava eu para ti.
Meu coração disparou
Um ardor então senti

Minh'alma de imediato se parte
Em duas metades desiguais
Separadas com vigor e arte
Para sobrar-me só partes vitais

E foi à ti que o outro, ó bela,
A grande parcela foi dar,
Pintura perfeita em divina tela
Para em meu coração reinar

Se mereço o teu amor
Se mereço ter-te em mente
Basta em palavras vires a pôr
O que tua alma sente

Mas se me desprezas
Ou julgas de ti imerecedor
Arranca a parte que conservas
A nega-me o profano amor

Será, sim, profano
Pois tu és uma Deusa a brilhar.
E daqui à um ano
À esta terra irei retornar.

Retornarei para ver-te.
Tu que és A Fonte Divina
O sagrado veio que vida verte,
Que até deuses ilumina

Como poderei voltar a ver
A Deusa que indigno me considera
Sendo eu apenas mais um simples ser
E tu, cuja beleza a das deusas supera,

Não quererás a mim receber.
Não poderei nunca mais tocar-te
Se não me quiser dizer
Que poderei encontrar-te.

Mas se digno me consideras
Então não irei em vão
Pois em minh'alma imperas
Espera! Te darei meu coração

Já tendes, Deusa imortal, minh'alma
Já te prometi dar-te alegremente o coração.
És, num jardim de espinhos, uma palma
Em um mundo perverso, a salvação.

Eis, pois, o porque de os invejar:
Não invejo o fato de ser amado,
Pois sinto eu um amor que me fará velejar,
É ter ao lado o ente amado.

E o meu ente idolatrado
É ninguém menos do que aquela
A quem me dirijo agora, anjo amado
És tu, minha querida, ó Deusa bela.



Autor: ALEXANDRE ANTONIO COUTINHO FARIA

Escrito em abril de 1996

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