domingo, 12 de maio de 2013

Feliz Dia das Mães



Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito
Também o céu tem três letras
E nelas cabe o infinito

Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!

Autor: Mário Quintana.


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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Luto - Morre Alceo Bocchino - Música

Neste domingo, 07 de abril de 2013, perdemos o Maestro Alceo Bocchino.



Maestro, compositor e pianista brasileiro Alceo Bocchino, nasceu em Curitiba no ano de 1918 e morava no Rio de Janeiro desde 1946. Músico de altíssima competência e com uma audição absolutamente perfeita Bocchino foi fundador e maestro de diversas orquestras. A função mais importante que teve foi a de fundador e diretor musical da Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC (atual Orquestra Nacional/UFF), um projeto sancionado pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Mas Bocchino atuou também como maestro titular da Orquestra Sinfônica Brasileira de 1963 a 1965.

Foi assistente do maestro Eleazar de Carvalho na Orquestra Sinfônica Brasileira e presidente da Comissão Artística, regendo a orquestra por quatro anos. Participou nos anos 60 e 70 de diversos cursos no exterior, em que regeu concertos com a Orquestra Sinfônica de Bilbao (Espanha) e a Orquestra Filarmônica de Burgás (Bulgária).

Foi ele, junto com o grande pianista húngaro György Sándor, a executar pela primeira vez no Brasil os três concertos para piano de Bela Bartók. Foi também o regente da tardia estreia brasileira do Réquiem de Brahms, e o responsável pela estreia do Quinto concerto para piano e orquestra de Villa-Lobos com a célebre pianista Felicja Blumenthal.

Antes de completar 5 anos ouviu um vizinho tocando piano e pediu para aprender, pedindo insistentemente até que os pais conseguissem um instrumento para a sala de casa.  "Roubava a chave do piano e ficava tocando quando todo mundo saía de casa. Um dia levei um tombo da cadeira e só aí descobriram o que eu fazia durante as tardes".

Aluno de Regência de Eleazar de Carvalho e de composição de Camargo Guarnieri, sua fase mais produtiva coincidiu com sua mudança para o Rio de Janeiro, onde travou conhecimento com grandes compositores. Acompanhou Villa-Lobos em suas viagens ao Nordeste e amigo de Francisco Mignone. Foi Professor de Tom Jobim e responsável pelas primeiras audições de Radamés Gnattali.

Foi um dos dois principais colegas e colaboradores musicais de Villa-Lobos, juntamente com Vieira Brandão, trabalhando como revisor e executor ao piano, geralmente à primeira-vista e a partir de grades orquestrais extremamente complexas, das obras recém-escritas por Villa-Lobos. Por esta capacidade notável de ler e reduzir as partituras instantaneamente, Villa-Lobos lhe chamava carinhosamente de "Cachorrão", segundo relato do próprio Bocchino.

Paralelamente à sua carreira de músico, Bocchino se dedicou à carreira de Direito, formando-se em 1939. Como educador foi fundador e professor titular da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, ministrando aulas de diversas matérias teóricas; no Conservatório de Santos deu aulas de Fisiologia Vocal e Coral. Foi professor de composição e regência da Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro aonde formou alunos como Maximianno Cobra. Bocchino se destacou durante sua atuação na rádio na década de 1950:

“Adaptou-se muito bem ao novo veículo e aprendeu métodos de orquestração, passando a dominar o ofício de regente. Na Record regeu ao vivo a Canção dos Expedicionários em homenagem aos pracinhas que voltaram da II Guerra.

Casou-se com a Sra. Ida Teitelroit nos anos 40, com quem veio a ter duas filhas: Gulmara Beatriz e Rosalba Esther.

Com múltiplos talentos musicais - sendo, ao mesmo tempo, um prodígio do piano, habilíssimo arranjador , inspirado diretor musical e compositor - decidiu-se pela carreira principal de maestro de orquestra, com forte influência e apoio de sua esposa Ida Teitelroit Bocchino.

Na Rádio Mayrink Veiga foi arranjador de Carlos Galhardo, Orlando Silva, Sílvio Caldas e Nelson Gonçalves.

Na Nacional, em 1956, orquestrou e dirigiu, com Paulo Tapajós, o programa Quando os maestros se encontram, uma espécie de duelo ao vivo em que cada um mostrava suas aptidões musicais. Entre as presenças marcantes, figuravam Radamés Gnatalli, Léo Peracchi e o então novato, Tom Jobim.

Em 1974 viajou pela Europa com a Orquestra Sinfônica Brasileira, realizando concertos com grande sucesso de público e crítica. De volta ao Brasil, participou de diversas apresentações com orquestras brasileiras. Em 1981 representou o Brasil na Universidade de Maryland, como regente do concerto inaugural Stravaganza Musicale, tendo como solistas vinte pianistas, no 11º Festival e Concurso de Piano.

Em 1989 participou da montagem da ópera Tosca, uma produção do Teatro Guaíra.

Era ocupante da cadeira 37º da Academia Brasileira de Música.

Morreu aos 94 anos, de falência múltipla de órgãos, em sua residência em Copacabana, Rio de Janeiro/RJ. Foi sepultado no mesmo dia, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Referências:

Gazeta do Povo
Wikipedia
O Globo
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sexta-feira, 29 de março de 2013

Feliz Páscoa

Que Deus nos abençoe sempre!


"Que vençam os pensamentos de paz! Que vença o respeito pela vida!" (João Paulo II)


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quinta-feira, 21 de março de 2013

Eu sei, eu sei

Eu sei, estou devendo postagens,  mas estou com pouquíssimo tempo livre. Diversas complicações cotidianas, nada grave, que esgotam todo o tempo disponível. O tempo que sobra precisa ser gasto em um outro lugar:



Fonte da imagem: Devianart
Ainda não abandonei o Blog. Peço, por favor, que tenham um pouco mais de paciência que eu voltarei com novas postagens em breve.

Abraços a todos 
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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Os 15 dias de Celebração do Ano Novo Chinês - 2013 Ano da Serpente

Feliz Ano Novo Chinês



O Ano Novo Chinês é a celebração mais importante do calendário chinês. O ano chinês 4711, o ano da serpente, começa hoje: 10 de fevereiro de 2013.

O meses chineses são contados pelo calendário lunar, com o início cada mês no dia mais escuro. As festividades do Ano Novo, tradicionalmente, começam no primeiro dia do mês e continuam por mais 14 dias até o décimo quinto dia, quando a lua é mais brilhante.

As celebrações do ano novo chinês são um tempo de gratidão e união familiar. A véspera de Ano
Novo serve para os chineses se despedirem do ano velho, agradecendo aos seus ancestrais e os deuses pela sua bênção e proteção.

Nos 15 dias de celebrações do Ano Novo, cada dia tem uma importância especial. Os principais rituais de cada dia são:

Dia 1: As pessoas começaram o dia com orações e boas-vindas aos deuses do céu e da terra.

Dia 2: São feitas orações oferecidas aos seus antepassados e deuses. Este dia é considerado como sendo o aniversário de todos os cães, por isso os cães abandonados são alimentados.

Dia 3 e 4: Estes dias são muito importantes para as relações familiares. Cada filho presta respeito ao seus pais. No quarto dia , os deuses voltam ao mundo dos vivos.

Dia 5: Este dia é chamado Po Woo. As pessoas ficam em casa para serem visitados pelo Deus da riqueza. Ninguém visita outras casas, pois traria azar.

Dia 6: Neste dia, as pessoas visitam os entes próximos e queridos e visitam os templos para rezar.

Dia 7: Este é o dia dos agricultores chineses. Prepara-se uma bebida a partir de sete tipos diferentes de vegetais. Neste dia, come-se macarrão, símbolo de vida longa e peixes que representam o sucesso.

Dia 8: É outro dia para ser comemorado com a família e amigos e rezar a Tian Gong, o Deus do céu.

Dia 9: Orações são oferecidos ao Imperador de Jade.

Dias 10 a 13: De 10 a 12, as pessoas celebram os dias com um jantar com os entes queridos e no 13 º dia faz-se um jantar muito leve para limpar o corpo.

Dia 14: As pessoas começam a preparar-se para a celebração do Festival das Lanternas a ser realizada no dia seguinte.

Dia 15: Esta é a primeira noite em que se pode ver a lua cheia, as pessoas saem à rua com lanternas coloridas, comem bolos de arroz e aproveitar o dia com suas famílias.

Tradições de Ano Novo Chinês e Curiosidades:



=> Para se preparar para oAno Novo chinês, as pessoas limpam as suas casas, pagam todo o dinheiro que devem, cortam o cabelo e compram roupas novas. Outra tradição prende-se com a iluminação das casas e a sua decoração com símbolos de paz e sorte. A cor vermelha é usada em todas as suas decorações.

 => Os fogos de artifício baseiam-se num costume em que há muito tempo atrás as pessoas acendiam talos de bambu, acreditando que as chamas crepitantes assustavam os maus espíritos.

=> Na China, o Ano Novo é um momento de reunião familiar. Os membros da família reúnem-se nas casas uns dos outros, para visitas e refeições compartilhadas.

=> O festival lanterna é realizado no décimo quinto dia do primeiro mês lunar, o último dia dos festejos do ano novo chinês. Algumas das lanternas são autenticas obras de arte, pintadas com aves, animais, flores, signos zodiacais e cenas de lendas e histórias. As lanternas são penduradas nos templos, e à noite faz-se um desfile com lanternas, sob a luz da lua cheia.

=> Em muitos locais, no festival da lanterna faz-se a dança do dragão. O dragão pode ter uma centena de metros de comprimento, é geralmente feito de seda, papel e bambu. Tradicionalmente, o dragão é composto por homens jovens que dançam à medida que passeiam o dragão pelas ruas.

=> Embora as festividades do Ano Novo chinês, já sejam tradicionalmente realizadas durante milênios, ainda conservam uma enorme importância, hoje em dia, para os chineses.

O próximo ano novo chinês, o Ano do Cavalo, começará em 31 de janeiro de 2014

A todos desejamos “kung hei fat choi!”, Feliz Ano Novo! em cantonês, ou “gong xi fa cai!” Feliz Ano Novo! em mandarim.

Fontes:

Diálogos Políticos Passagem de Ano
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domingo, 6 de janeiro de 2013

Tradições Populares - Dia de Reis - Religião


Olá a todos.

Hoje é comemorado o dia de Reis.

A data é celebrada especialmente pelos católicos de todo o mundo.

É quando a tradição coloca a visita dos três reis magos ao menino Jesus.

A Bíblia narra apenas a visita de Sábios do Oriente que lhe ofereceram ouro, incenso e mirra. Costuma-se associar o ouro ao reconhecimento de Jesus como Rei, o incenso ao reconhecimento de Jesus como Deus e a mirra a um anúncio ou preparação de sua morte sacrificial.

Com o passar dos séculos, outros textos e tradições foram acrescentando detalhes ao relato.

Os sábios viraram reis e magos. Ganharam nomes e origens diferentes, para simbolizar toda a humanidade.

Baltazar, oriundo da África, trouxe a mirra; Gaspar saiu da Índia, de onde trouxe o incenso; Melchior ou Belchior trouxe ouro da Europa (o que seria estranho, visto que a Europa não fica no Oriente, em relação a Belém de Judá, onde Jesus nasceu e estava morando). No século VIII a Igreja Católia convertou os reis magos em santos.

Em alguns países como Espanha e Portugal, as crianças deixam sapatos na janela com capim antes de dormir para que os camelos dos Reis Magos possam se alimentar e retomar a viagem. Em troca, os Reis Magos deixam doces que as crianças encontram no lugar do capim quando acordam.

Como foram os reis que presentearam Jesus, em muitos países a troca de presentes ocorre hoje, e não no dia 24/12.

Pela tradição, hoje é o dia de desmontar a árvore e retirar a decoração natalina das casas.

No Brasil ocorre também a Folia de reis.

Em pesquisa literária, feita por Pergo, levantou-se que a tradição da “Folia de Reis” chegou ao Brasil por intermédio dos portugueses, ainda no período da colonização. Essa manifestação cultural era realizada em toda a Península Ibérica e era comum a ocorrência de doação e recebimento de presentes enquanto eram entoados cantos e danças nas residências da época. Baseado nessa argumentação, a Folia de Reis teria vindo ao Brasil no século XVI, cerca do ano de 1534, trazido pelos Jesuítas, e servindo como um instrumento na catequização dos índios e, posteriormente, dos negros escravos.

Fixado o nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro que, em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, mais importante, inclusive, que o próprio Natal. No estado do Rio de Janeiro, os grupos realizam folias até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião e padroeiro do Estado.

Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas tocando músicas alegres em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Cristo; essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Reis Magos (6 de janeiro). A tradição ganhou força especialmente no século XIX e mantém-se viva em muitas regiões do país, sobretudo nas pequenas cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás, mas está presente em todo o país.

Na cidade de Muqui, sul do Espírito Santo, acontece desde 1950 o Encontro Nacional de Folia de Reis, que reúne cerca de 90 grupos de Folias do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. É o maior e mais antigo encontro de Folias de Reis do país. O evento é organizado pela Secretaria de Cultura do Município e tem data móvel.

 Outra tradição que veio da Europa para o Brasil é a do Bolo dos Reis ou Bolo-Rei. Neste bolo são colocadas prendas, uma moeda ou uma pequena coroa. Aquele contemplado pela prenda ou coroa está recebendo um presente dos magos e terá um bom ano. A tradição Portuguesa incluía ainda uma fava no bolo. Quem a tirasse deveria preparar o bolo-rei do ano seguinte.

O dia de reis é tão importante na Europa que se tornou feriado em todo o continente. Especialmente nos países de tradição cristã ortodoxa, onde hoje é a véspera do Natal.

Diferentemente dos católicos romanos, os ortodoxos comemoram seu Natal no dia 7 de janeiro, com base no calendário juliano. A maior parte dos católicos ortodoxos está concentrada nos países eslavos e na Rússia, mas também há um número significativo de fiéis na Grécia, em Israel e no Egito.

Os ortodoxos não reconhecem o Papa como autoridade máxima da Igreja. Para eles, o chefe é o próprio Jesus Cristo. A Igreja Ortodoxa se separou da Romana no século XI e por isso não reconhece dogmas católicos recentes.

Feliz Natal aos Ortodoxos.

Feliz Dia de Reis aos católicos.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Poesia - Feliz Ano Novo! - Drummond - Receita de Ano Novo

Adeus 2012!

O ano acaba hoje. O Mundo não acabou, nem todos os seus planos foram bem sucedidos, mas, em compensação, coisas inesperadas aconteceram. Mas isso é o que dá graça para a vida!
Esqueça o que deu errado no Passado. Lembre-se apenas das coisas boas e olhe confiante para o venturoso futuro que se descobre aos nossos olhos!


Que em 2013 tenhamos muito sucesso, saúde, paz e Luz! Amor e Sucesso batam à nossa porta e que nós não nos esqueçamos de deixá-los entrar em nossas vidas!


Deixo aqui meus sinceros votos de um Própero 2013.


Que o ano que vem seja muito melhor do que este que se encerra!

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.


(fonte do Poema: _blank"> Releituras>)
 
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domingo, 23 de dezembro de 2012

Feliz Natal! - Videos Músicas para o Natal

Olá amigos!
O Mundo não acabou!

Que todas a bênçãos de Deus iluminem a todos e às suas famílias.
Um Natal de muita Luz, Paz e Harmonia a todo o Mundo.
Celebremos o Natal com alegria, e não esqueçamos do principal: o Aniversariante!
Abraços


Louvemos ao Senhor com toda a alegria!











 
 
 
FELIZ NATAL!

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domingo, 9 de dezembro de 2012

Ele Cresceu

Ele cresceu.



O “Escritos Perdidos” nasceu para ser uma simples divulgação de alguns poemas que escrevi na adolescência.  Depois resolvi colocar textos e vídeos de que gostava. Quando terminei a pós, achei que meu artigo merecia ser divulgado e o coloquei ali também. E então olhei as estatísticas e descobri que tinha leitores! E que eles voltavam ao blog! E mandavam textos para serem publicados! Comecei a sentir obrigação de postar “qualquer coisa” e fui postando. Aos poucos, como toda criança, foi crescendo e começou a desenvolver sua própria personalidade e linha de raciocínio. E começou a ficar difícil de postar “qualquer coisa”, não cabia mais qualquer postagem. E as estatísticas aumentando! Descobri que existem portais sérios que utilizam o “Escritos Perdidos” como fonte de textos! O que aumenta a minha responsabilidade de publicar material correto e verificar sempre a autoria do que publico. Ainda, senti a obrigação de desenvolver, ou antes, a criança desenvolveu uma linha editorial, um norte, uma indicação do que pode ser ou não publicado.

A criança cresceu e, como pai, não tenho mais autoridade plena e irrestrita.

Agora, mais do que alimentar, é preciso estruturar e organizar o desenvolvimento de meu filho, para que possa crescer com seus próprios passos.



Por isso, começa hoje uma nova fase para o blog.

Estou iniciando um trabalho hercúleo de categorizar e reorganizar todas as postagens já feitas. E esse trabalho levará em conta uma nova formatação de conteúdo.

O blog passará a contar com “colunas temáticas” e todas as novas postagens deverão ser incluídas em uma dessas categorias.

Com isso será muito mais fácil para você, amigo leitor, encontrar aquele texto que procura e, também, saberá já de antemão, o que esperar nas próximas postagens.

Tentarei manter postagens regulares em cada coluna.

Agora eu gostaria de pedir a sua opinião: o que você gostaria de ver publicado neste blog? Sugira um tema, uma nova categoria, um texto, uma nova área a ser explorada ou qualquer coisa que você quiser nos dizer e sugerir. Críticas e reclamações também serão bem recebidas.

Comente este post ou a imagem dele na nossa Página do Facebook. Além da Página do Facebook outro canal permanente de comunicação é o e-mail contato@escritosperdidos.com.
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Devaneios e Reflexões - As Caixas

As Caixas



Era sua quarta residência, três vezes se mudara. E desde a primeira mudança as caixas estavam lá.

Havia arquivos para as coisas que precisam ser guardadas e organizadas. As roupas saíram das malas e foram para os guarda-roupas. Enquanto isso as caixas foram empilhadas junto a uma parede.

Por um ano e meio as caixas ficaram lá, intocadas. Mas, mesmo ali paradas, elas incomodavam.

Estudar, trabalhar, organizar... tudo ficava mais difícil. A lembrança das caixas surgia com força. “Preciso arrumar aquelas caixas”, pensava a todo momento.

Entretanto, lá estavam as caixas. Decidiu-se. Abriu as caixas e despejou o conteúdo pelo chão da sala. “Agora eu tenho que mexer nessas coisas”. E descobriu que a própria mente trabalhava contra. Subitamente “apaixonou-se” por uma série nova e viu duas temporadas em dois dias! O subconsciente lutando para não mexer naquelas coisas.

Racionalmente, sabia que mais da metade iria ser jogada fora, mas era necessário avaliar coisa por coisa, papel por papel. E aí é que estava o problema.

As caixas tinham de tudo: papéis, documentos, tapetes, fotos, objetos de decoração, Cds e DVDs, livros, apostilas, cartas... lembranças!

Algumas dessas coisas não seriam mais úteis, outras estavam desatualizadas, algumas já haviam sido substituídas. Mas, porque ainda não se havia desfeito delas?

Apego? A quê? Aos objetos? Não. Apegava-se às lembranças, aos sonhos passados que não se realizaram, como se, ao manter os objetos, ainda houvesse algum modo de voltar ao passado. E não há, absolutamente, nenhuma forma de se voltar ao passado.

Quantas coisas guardamos apenas por isso! Mantê-las é como se sentíssemos que o momento ainda não passou, que ainda poderemos fazer algo para mudar o passado. Mas, infelizmente, não podemos. O que passou, passou. O que foi dito, está dito. O que foi feito, está feito. O que deixou de ser feito, não poderá mais ser realizado. A oportunidade perdida, nunca mais se apresenta para nós.

Há outro interesse da mente. A desculpa. A necessidade de arrumar as caixas sempre era uma desculpa. “Arrumou?”, “Estudou?”, “Fez o Trabalho?”; para todas as perguntas, havia a mesma desculpa: “Preciso arrumar aquelas caixas”.

Mas, uma vez identificado o problema, este deve ser resolvido. Decidiu-se por acabar com as desculpas, com as amarras do passado e seguir em frente.

Sentou-se em meio a todas aquelas coisas e começou a selecioná-las e arrumá-las. Uma a uma, um dia de cada vez. E surpreendeu-se ao perceber que, mesmo ciente do que deveria fazer, ainda tentava se apegar a algumas coisas. Viu-se selecionando papéis e objetos para serem guardados em um dia e descartando-os uma semana depois.

E a cada item lembrava-se, e sorria, e chorava, e alegrava-se e entristecia-se.

Sentiu a saudade daquilo que viveu e, ainda mais doloroso, uma pujante saudade do futuro que não aconteceu. De seus sonhos desfeitos e frustrados. Dos objetivos que nunca buscou de verdade. Alguns porque não teve coragem de perseguir. Outros, por não serem objetivos realmente seus, mas das pessoas à sua volta, a quem tentava agradar.

Finalmente arrumou as caixas, jogou fora o desnecessário, limpou sua casa, e com isso, sua mente e sua vida. Assim, pôde seguir vivendo, confiante e livre.

E então, com a mente liberta, percebeu o objetivo que sempre teve, que nunca buscou. Um pouco por medo do fracasso, um pouco por falta de coragem. Sempre aceitando desculpas criadas por sua mente: “isso não é para mim”; “não tenho o talento que preciso”, “não me dará a segurança financeira que preciso”, e tantas outras que perdeu a conta. Não queria e nem precisava lembrar-se delas. Tudo o que precisava saber é que agora sabia que desejava perseguir esse objetivo; que ainda era possível! E agora, livre das amarras do passado, e alcançando a maturidade mental necessária, iria se esforçar, mesmo que fracassasse.

“Não há vitória sem luta!”, como disse Santo Antônio de Pádua.

É preciso arriscar! É preciso lutar! É preciso tentar!

É melhor enfrentar um fracasso, a ter que suportar o arrependimento de nem ter tentado.

Lute! Arrisque! Siga em frente! Viva!
Autor: Alexandre Antonio Coutinho Faria

Primeira publicação.
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domingo, 18 de novembro de 2012

Músico do mês - Video - Pachelbel - Magnificat - Canon - Fuga

Johann Christoph Pachelbel (Nuremberg, 1 de setembro de 1653 — Nuremberg, 3 de março de 1706) foi um músico, organista, professor e compositor alemão do estilo barroco. Compõe um grande acervo de música sacra e secular, e suas contribuições para o desenvolvimento do prelúdio coral e fuga dão-lhe lugar entre os mais importantes compositores da época barroca.


Pachelbel já tinha 31 anos quando Johann Sebastian Bach nasceu, em 31/03/1685. Quando Pachelbel morreu, Bach tinha apenas 20 anos. Desta forma, podemos considerar Pachelbel anterior a Bach, o que ressalta sua modernidade e complexidade.

Sua obra mais célebre, o Cânon (Kanon) em Ré Maior, é, certamente, uma das mais belas composições da humanidade.




Pachelbel compôs principalmente para o órgão, seu principal instrumento, mas demonstrou, nesta peça, toda a sua capacidade orquestral (considerando-se os instrumentos disponíveis na época).

Outra peça célebre de Pachelbel é seu Magnificat em Dó Maior.



O Magnificat desempenha papel importante na liturgia protestante (mormente luterana) das Vésperas, e Pachelbel escreveu várias partituras para o texto durante sua vida. Tradicionalmente, o órgão era usado nesse contexto tanto para tocar versos alternados do canto como para executar um curto prelúdio a fim de determinar o tom de abertura para os cantores.

Ainda mais importante para o desenvolvimento da música, são as 95 Fugas para Magnificat que compôs para o serviço diário. Pachelbel produziu diversas fugas breves em cada um dos modos eclesiásticos, de forma que pudessem ser usadas induvidualmente segundo a música vocal a ser cantada em determinado dia, desde o 'primus tonus (literalmente "primeiro tom", baseado em dó) até todas as notas da escala:

Magnificat Primi Toni - 23 fugas;
Magnificat Secundi Toni - 10 fugas;
Magnificat Tertii Toni - 11 fugas;
Magnificat Quarti Toni - 8 fugas;
Magnificat Quinti Toni - 12 fugas;
Magnificat Sexti Toni - 10 fugas;
Magnificat Septimi Toni - 8 fugas;
Magnificat Octvi Toni - 13 fugas

Pachelbel usou temas originais na maioria das fugas, embora algumas incorporem o cantochão padrão, em parte ou plenamente.

Esse amplo corpo de fugas breves em diferentes tons, estilos, temas e atmosferas (de motivos joviais e dançantes a ostensivamente sombrios) representa a mais impressionante compilação de música para órgão até Johann Sebastian Bach, uma geração depois.

Muitas destas fugas podem ser transcritas para o piano, pois não utilizam os pedais do órgão.

Abaixo as fugas do "Quarti Toni" (quarto tom).



Pessoalmente, considero as composições de Pachelbel muito a frente de seu tempo e tão importantes para o desenvolvimento da música quanto a obra de Bach.

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domingo, 4 de novembro de 2012

O Amor - Poesia Árabe - Autor Desconhecido

O Amor
(poesia árabe)


Quando o amor o chamar
Se guie
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados
E quando ele vos envolver com suas asas
Cedei-lhe
Embora a espada oculta na sua plumagem possa feri-vos
E quando ele vos falar
Acreditai nele
Embora a sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim
Pois da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica
E da mesma forma que contribui para o vosso crescimento
Trabalha para vossa poda
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol
Assim também desce até vossas raízes e a sacode no seu apego à terra
Como feixes de trigo ele vos aperta junto ao seu coração
Ele vos debulha para expor a vossa nudez
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas
Ele vos mói até extrema brancura
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis
Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino
Todas essas coisas o amor operará em vos para que conheçais os segredos de vossos corações
E com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino
Todavia se no vosso temor procurardes somente a paz do amor, o gozo do amor
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez, abandonásseis a ira do amor
Para entrar num mundo sem estações onde rireis, mas não todos os vossos risos
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas
O amor nada dá, se não de si próprio
E nada recebe, se não de si próprio
O amor não possui nem se deixa possuir
Pois o amor basta-se a si mesmo
Quando um de vós ama, que não diga 'Deus está no meu coração'
Mas que diga antes 'Eu estou no coração de Deus'
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor pois o amor se vos achar dignos determinará ele próprio vosso curso
O amor não tem outro desejo se não o de atingir a sua plenitude
Se contudo amardes e precisardes ter desejos
Sejam estes os vossos desejos
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor
De voltardes pra casa à noite com gratidão
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado
E nos lábios uma canção de bem-aventurança


 Autor Desconhecido
Fonte: Poesia Árabe
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A Cadeira - Saramago - Crônica - Texto



A Cadeira



A cadeira começou a cair, a ir abaixo, a tombar, mas não, no rigor do termo, a desabar. Em sentido estrito, desabar significa caírem as abas a. Ora, de uma cadeira não se dirá que tem abas, e se as tiver, por exemplo, uns apoios laterais para os braços, dir-se-á que estão caindo os braços da cadeira e não que desabam. Mas verdade é que desabam chuvadas, digo também, ou lembro já, para que não aconteça cair em minhas próprias armadilhas: assim, se desabam bátegas, que é apenas modo diferente de dizer o mesmo, não’poderiam afinal desabar cadeiras, mesmo abas não tendo? Ao menos por liberdade poética? Ao menos por singelo artifício de um dizer que se proclama estilo? Aceite-se então que desabem cadeiras, embora seja preferível que se limitem a cair, a tombar, a ir abaixo. Desabe, sim, quem nesta cadeira se sentou, ou já não sentado está, mas caindo, como é o caso, e o estilo aproveitará da variedade das palavras, que, afinal, nunca dizem o mesmo, por mais que se queira. Se o mesmo dissessem, se aos grupos se juntassem por homologia, então a vida poderia ser muito mais simples, por via de redução sucessiva, até à ainda também não simples onomatopeia, e por aí fora seguindo, provavelmente até ao silêncio, a que chamaríamos o sinónimo geral ou omnivalente. Não é sequer onomatopeia, ou não é formável ela a partir deste som articulado (que não tem a voz humana sons puros e portanto inarticulados, a não ser talvez no canto, e mesmo assim conviria ouvir de mais perto), formado na garganta do tombante ou cadente, embora não estrela, palavras ambas de ressonância heráldica que estão designando agora aquele que desaba, pois não se achou correcto juntar a este verbo a desinência paralela (ante) que perfaria a escolha e completaria o círculo. Desta maneira fica provado que não é perfeito o mundo.

Já de perfeita se apelidaria a cadeira que está a cair. Porém, mudam-se os tempos, mudam-se vontades e qualidades, o que foi perfeito deixou de o ser, por razões em que as vontades não podem, mas que não seriam razões sem que os tempos as trouxessem. Ou o tempo. Importa pouco dizer quanto tempo este foi, como pouco importa descrever ou simplesmente enunciar o estilo de mobiliário que tornaria a cadeira, por obra de idetitificação, membro de uma família decerto numerosa, tanto mais que como cadeira pertence, por natureza, a um simples subgrupo ou ramo colateral, nada que se aproxime, em tamanho ou função, desses robustos patriarcas que são as mesas, os aparadores, os guarda-roupas ou pratas ou louças, ou as camas, das quais, naturalmente, é muito mais difícil cair, senão impossível, pois é ao levantar da cama que se parte a perna ou ao deitar que se escorrega no tapete, quando partir a perna não foi precisamente o resultado de escorregar no tapete. Nem cremos que importe dizer de que espécie de madeira é feito tão pequeno móvel, já de seu nome parece que fadado ao fim de cair, ou será conto-do-vigário linguístico esse latim cadere, se cadere é latim, porque devia sé-lo. Qualquer árvore poderá ter servido, excepto o pinho por ter esgotado as virtudes nas naus da India e ser hoje ordinário, a cerejeira por empenar facilmente, a figueira por rasgar à traição, sobretudo em dias quentes e quando por causa do figo se vai longe de mais no ramo; excepto estas árvores pelos defeitos que têm, e excepto outras pelas qualidades em que abundam, como é o caso do pau-ferro onde o caruncho não entra, mas que padece de peso demasiado para o volume requerido. Outra que também não vem ao caso é o ébano, precisamente porque é apenas diferente nome de pau-ferro, e já foi visto o inconveniente de utilizar sinónimos ou supostos serem-no. Muito menos nesta destrinça de questões botânicas que de sinónimos não cuida, mas cuida de verificar dois diferentes nomes que a gente diferente deu à mesma coisa. Pode-se apostar que o nome de pau-ferro foi dado ou pesado por quem teve de o transportar às costas. Aposta pela certa e ganha.

Se de ébano fosse, teríamos provavelmente de acoimar de perfeita a cadeira que está caindo, e acoimar ou encoimar se diz porque então não cairia ela, ou viria a cair muito mais tarde, daqui por exemplo a um século, quando já não nos valesse a pena sua de cair. Ë possível que outra cadeira viesse a cair no lugar dela, para poder dar a mesma queda e o mesmo resultado, mas isso seria contar outra história, não a história do que foi porque está acontecendo, sim a do que talvez viesse a suceder. O certo é bem melhor, principalmente quando muito se esperou pelo duvidoso.

Porém, uma certa perfeição haveremos de reconhecer nesta afinal única cadeira que continua a cair. Foi construída não de propósito para o corpo que nela tem vindo a sentar-se desde há muitos anos mas escolhida por causa do desenho, por acertar ou não contradizer em excesso o resto dos móveis que estão perto ou mais longe, por não ser de pinho, ou cerejeira, ou figueira, vistas as razões já ditas, e ser de madeira costumadamente usada em móveis de qualidade e para durar, verbi gratia, mogno. Ë esta uma hipótese que nos dispensa de ir mais longe na averiguação, aliás não deliberada, da madeira que serviu para dela cortar, moldar, afeiçoar, grudar, encaixar, apertar e deixar secar a cadeira que está caindo. Seja pois o mogno e não se fale mais no assunto. A não ser para acrescentar quanto é agradável e repousante, depois de bem sentados, e se a cadeira tem braços, e é toda ela mogno, sentir sob as palmas das mãos aquela dura e misteriosa pele macia da madeira polida, e, se curvo o braço, o jeito de ombro ou joelho ou osso ilíaco que essa curva tem.

Desgraçadamente, o mogno, verbi gratia, não resiste ao caruncho como resiste o antes mencionado ébano ou pau-ferro. A prova está feita pela experiência dos povos e dos madeireiros, mas qualquer de nós, se animado de espírito científico bastante, poderá fazer a sua própria demonstração usando os dentes numa e noutra madeira e julgando a diferença. Um canino normal, mesmo nada preparado para uma exibição de força dental circense, imprimirá no mogno uma excelente e visível marca. Não o fará no ébano. Quod erat demonstrandum. Por aqui poderemos avaliar as dificuldades do caruncho.

Nenhuma investigação policial será feita, embora este fosse justamente o momento propício, quando a cadeira apenas se inclinou dois graus, posto que, para dizer toda a verdade, a deslocação brusca do centro de gravidade seja irremediável, sobretudo porque a não veio compensar um reflexo instintivo e uma força que a ele obedecesse; seria agora o momento, repete-se, de dar a ordem, uma severa ordem que fizesse remontar tudo, desde este instante que não pode ser detido até não tanto à árvore (ou árvores, pois não é garantido que todas as peças sejam de tábuas irmãs), mas até ao vendedor, ao armazenista, à serração, ao estivador, à companhia de navegações que de longe trouxe o tronco aparado de ramos e raízes. Até onde fosse necessário chegar para descobrir o caruncho original e esclarecer as responsabilidades. É certo que se articulam sons na garganta, mas não conseguirão dar essa ordem. Apenas hesitam, ainda, sem consciência de hesitar, entre a exclamação e o grito, ambos primários. Está portanto garantida a impunidade por emudecimento da vítima e por inadvertência dos investigadores, que só pro forma e rotina virão verificar, quando a cadeira acabar de cair e a queda por enquanto ainda não fatal estiver consumada, se a perna ou pé foi malevolamente cortado e criminosamente também. Humilhar-se-á quem tal verificação fizer, pois não é menos que humilhante usar pistola no sovaco e ter um toco de madeira carunchosa na mão, esfarelando-o debaixo da unha que para isso nem precisaria de ser tão grossa. E depois arredar com o pé a cadeira partida, sem ao menos irritação, e deixar cair, também cair, o pé inútil, agora que acabou o tempo da sua utilidade, que precisamente é a de se ter partido.

Em algum lugar foi, se é consentida esta tautologia. Em algum lugar foi que o coleóptero, pertencesse ele ao género Hilotrupes ou Anobium ou outro (nenhum entomologista fez peritagem e identificação), se introduziu naquela ou noutra qualquer parte da cadeira, de qual parte depois viajou, roendo, comendo e evacuando, abrindo galerias ao longo dos veios mais macios, até ao sítio ideal de fractura, quantos anos depois não se sabe, ficando porém acautelado, considerada a brevidade da vida dos coleópteros, que muitas terão sido as gerações que se alimentaram deste mogno até ao dia Ua glória, nobre povo nação valente. Meditemos um pouco na obra pacientíssima, esta outra pirâmide de Queóps, se isto são maneiras de grafar egípcio em português, que os coleópteros edificaram sem que dela nada pudesse ver-se por fora, mas abrindo túneis que de qualquer modo irão dar a uma câmara mortuária. Não éforçoso que os faraós sejam depositados no interior de montanhas de pedras, num lugar misterioso e negro, com ramais que primeiro se abrem para poços e perdições, lá onde deixarão os ossos, e a carne enquanto não for comida, os arqueólogos imprudentes e cépticos que se riem das maldições, naquele caso como se diz egiptólogos, neste caso como se deverá dizer lusólogos ou portugalólogos, a seu tempo chamados. Ainda sobre estas diferenças de lugar onde se faz a pirâmide e esse outro onde vai instalar-se ou é instalado o faraó, apliquemos el cuento e digamos, de acordo com as sábias e prudentes vozes dos nossos antepassados, que num lado se põe o ramo e no outro se vende o vinho. Não estranhemos portanto que esta pirâmide chamada cadeira recuse uma vez e outras vezes o seu destino funerário e pelo contrário todo o tempo da sua queda venha a ser uma forma de despedida, constantemente voltada ao princípio, não por lhe pesar assim tanto a ausência, que mais tarde será para longes terras, mas para cabal demonstração e compenetração do que despedida seja, pois é bem sabido que as despedidas são sempre demasiado rápidas para merecerem realmente o nome. Não há nelas nem ocasião nem lugar para o desgosto dez vezes destilado até à pura essência, tudo é balbúrdia e precipitação, lágrima que vinha e não teve tempo de mostrar-se, expressão que bem quereria ser de profunda tristeza, ou melancolia como outrora se usou, e afinal fica careta, ou ficacareta que é evidentemente pior. Caindo assim a cadeira, sem dúvida cai, mas o tempo de cair é todo o que quisermos, e enquanto olhamos este tombo que nada deterá e que nenhum de nós iria deter, agora. já sabido irremediável, podemos tomá-lo atrás como o Guadiana, não de medroso, porém de gozoso, que é modo celestial de gozar, também sem outra dúvida merecido. Aprendamos, se possível, com Santa Teresa de Ávila e o dicionário, que este gozo é aquela sobrenatural alegria que na alma dos justos produz a graça. Enquanto vemos a cadeira cair, seria impossível não estarmos nós recebendo essa graça, pois espectadores da queda nada fazemos nem vamos fazer para a deter e assistimos juntos. Com o que fica provada a existência da alma, pela demonstrativa via de um efeito que, dito está, precisamente não poderíamos experimentar sem ela. Torne pois a cadeira à sua vertical e comece outra vez a cair enquanto à matéria voltamos.

Eis o Anobium, que este é o nome eleito, por qualquer coisa de nobre que nele há, um vingador assim que vem do horizonte da pradaria, montado no seu cavalo Malacara, e leva todo o tempo necessário a chegar para que passe o genérico por inteiro e se saiba, se nenhum de nós viu os cartazes no átrio da entrada, quem afinal de contas realiza isto. Eis o Anobium, agora em grande plano, com a sua cara de coleóptero por sua vez carcomida pelo vento do largo e pelos grandes sóis que todos nós sabemos assolam as galerias abertas no pé da cadeira que acabou agora mesmo de partir-se, graças ao que a dita cadeira começa pela terceira vez a cair. Este Anobium, já isto foi dito por forma mais ligada às banalidades de genética e reprodução, teve predecessores na obra de vingança: chamaram-se Fred, Tom Mix, Buck Jones, mas estes são os nomes que ficaram para todo o sempre registados na história épica do Far-West e que não devem fazer-nos esquecer os coleópteros anónimos, aqueles que tiveram tarefa menos gloriosa, ridícula até, como de terem começado a atravessar o deserto e morrido nele, ou vindo pé ante pé pela vereda do pântano e aí escorregar e ficar sujo, malcheiroso, que évexame, castigado com as gargalhadas da plateia e do balcão. Nenhum destes pôde chegar ao ajuste de contas final, quando o comboio apitou três vezes e os coldres foram ensebados por dentro para saírem as armas sem demora, já com os indicadores enganchados no gatilho e os polegares prontos a puxar o cão. Nenhum desses teve o prémio à espera nos lábios de Mary, nem a cumplicidade do cavalo Raio que vem por trás e empurra o cow-boy tímido pelas costas para os braços da rapariga, que não espera outra coisa. Todas as pirâmides têm pedras por baixo, os monumentos também, O Anobium vencedor é o último elo da cadeia de anónimos que o precedeu, em todo o caso não menos felizes, pois viveram, trabalharam e morreram, cada coisa em sua hora, e este Anobium que sabe-mos fecha o ciclo, e, como o zângão, morrerá no acto de fecundar. O princípio da morte.

Maravilhosa música que ninguém ouviu durante meses e anos, sem descanso, nenhuma pausa, de dia e de noite, na hora esplêndida e assustadora do nascer do Sol e nessa outra ocasião de maravilha que é adeus luz até amanhã, este roer constante, contínuo, como um infinito realejo de uma nota só, moendo, triturando fibra a fibra, e toda a gente distraída a entrar e a sair, lá ocupada com as suas coisas, sem saber que dali sairá, repetimos, numa hora assinalada, de pistolas em punho, o Anobium, enquadrando o inimigo, o alvo, e acertando ou acentrando, que é precisamente acertar no centro, ou fica a ser desde agora, porque alguém tinha de ser o primeiro. Maravilhosa música afinal composta e tocada por gerações de coleópteros, para seu gozo e nosso benefício, como foi sina da família Bach, tanto antes como depois de João Sebastião. Música não ouvida, e se ouvisse que faria, por aquele que sentado na cadeira com ela cai e forma na garganta, de susto ou surpresa, este som articulado que talvez não venha a ser grito, uivo, muito menos palavra. Música que vai calar-se, que se calou agora mesmo: Buck Jones vê o inimigo caindo inexoravelmente para o chão, sob a grande e ofuscante luz do Sol texano, enfia nos coldres os revólveres e tira o grande chapéu de abas largas para enxugar a testa e porque Mary se aproxima a correr, de vestido branco, agora que o perigo já passou.

Haveria, porém, algum exagero em afirmar que todo o destino dos homens se encontra inscrito no aparelho bucal roedor dos coleópteros. Se assim fosse, teríamos ido viver todos para casas de vidro e ferro, portanto ao abrigo do Anobium, mas não ao abrigo de tudo, porque, afinal, por alguma razão existe, e para outra também, esse miste¬rioso mal a que damos, nós cancerosos em potência, o nome de cancro do vidro, e essa tão vulgar ferrugem, que, vá alguém desvendar estes outros mistérios, não ataca o pau-ferro mas desfaz literalmente o que só ferro for. Nós, homens, somos frágeis, mas, em verdade, temos de ajudar a nossa própria morte. É talvez uma questão de honra nossa: não ficarmos assim inermes, entregues, darmos de nós qualquer coisa, ou então para que serviria estar no mundo? O cutelo da guilhotina corta, mas quem dá o pescoço? O condenado. As balas das espingardas perfuram, mas quem dá o peito? O fuzilado. A morte tem esta peculiar beleza de ser tão clara como uma demonstração matemática, tão simples como unir com uma linha dois pontos, desde que ela não exceda o comprimento da régua. Tom Mix dispara os seus dois revólveres, mas ainda assim é necessário que a pólvora comprimida nos cartuchos tenha poder suficiente e seja em quantidade suficiente para que o chumbo galgue a distância na sua trajectória ligeiramente curva (não tem que fazer aqui a régua), e, tendo cumprido as exigências da balística, fure primeiro à boa altura o colete de pano, depois a camisa talvez de flanela, a seguir a camisola de lã que de Inverno aquece e de Verão absorve o suor, e finalmente a pele, macia e elástica, que primeiramente se recolhe supondo, se a pele supõe, se não supura apenas, que a força dos projécteis ali se quebrará, e cairão portanto as balas por tbrra, na poeira do caminho, a seu salvo o criminoso até ao próximo episódio. Não foi porém assim. Buck Jones já tem Mary nos braços e a palavra Fim nasce-lhe da boca e vai encher o ecrã. Seria a altura de se levantarem os espectadores, devagar, seguirem pela coxia para a luz crua que vem da porta, porque foram à matinée, fazendo força para regressar a esta realidade sem aventura, um pouco tristes, um pouco corajosos, e tão mal apontados à vida que na carreira de tiro espera, que há mesmo quem se deixe ficar sentado para a segunda sessão: era uma vez.

Também agora se sentou este homem velho que primeiro saiu de uma sala e atravessou outra, depois seguiu por um corredor que poderia ser a coxia do cinema, mas não é, é uma dependência da casa, não diremos sua, mas apenas a casa em que vive, ou está vivendo, toda ela portanto não sua, mas sua dependência. A cadeira ainda não caiu. Condenada, é como um homem extenuado por enquanto aquém do grau supremo da exaustão: consegue aguentar o seu próprio peso. Vendo-a de longe, não parece que o Anobium a transformou, ele cow-boy e mineiro, ele no Arizona e em Jales, numa rede labiríntica de galerias, de se perder nela o siso. Vê-a de longe o velho que se aproxima e cada vez mais de perto a vê, se é que a vê, que de tantos milhares de vezes que ali se sentou a não vê já, e esse é que é o seu erro, sempre o foi, não reparar nas cadeiras em que se senta por supor que todas são de poder o que só ele pode. S. Jorge, santo, veria ali o dragão, mas este velho é um falso devoto que se mancumunou, de gorra, com os cardeais patriarcas, e todos juntos, ele e eles, in hoc signo vinces. Não vê a cadeira, ainda agora vem a sorrir de cândido contentamento, e chega-se a ela, sem reparar, enquanto esforçadamente o Anobium desfaz na última galeria as derradeiras fibras e aperta sobre as ancas o cinto dos coldres. O velho pensa que irá descansar digamos meia hora, que talvez dormite mesmo um pouco nesta boa temperatura do princípio de Outono, que certamente não terá paciência de ler os papéis que traz na mão. Não nos impressionemos. Não se trata de um filme de terror; com quedas assim se fizeram e farão excelentes cenas cómicas, gags hilariantes, como os fez o Chaplin, todos temos na memória, ou o Pat e Patachon, ganha um doce quem se lembrar. E não antecipemos, embora saibamos que a cadeira se vai partir: mas não é ainda, primeiro há-de o homem sentar-se devagar, nós, os velhos, dão-nos a lei os trémulos joelhos, há-de pousar as mãos ou agarrar com força os braços ou abas da cadeira, para não deixar descair bruscamente as nádegas enrugadas e o fundilho das calças no assento que lhe tem suportado tudo, como é escusado especificar, que todos somos humanos e sabemos. Pelo lado da tripa, esclareça-se, porque este velho há muitas e também diversas razões, e antigas elas são, para duvidar da sua humanidade. No entanto, está sentado como um homem.

Ainda não se recostou. O seu peso, mais um grama menos um grama, está igualmente distribuído no assento da cadeira. Se não se mexesse, poderia ficar assim a seu salvo até ao pôr do Sol, altura em que o Anobium costuma recobrar forças e roer com vigor novo. Mas vai mexer-se, mexeu-se, recostou-se no espaldar, pendeu mesmo um quase nada para o lado frágil da cadeira. E ela parte-se. Parte-se a perna da cadeira, rangeu primeiro, depois dilacerou-a a acção do peso desequilibrado, e num repente a luz do dia entrou deslumbrante pela galeria de Buck Jones, iluminando o alvo. Por causa da conhecida diferença entre as velocidades da luz e do som, entre a lebre e a tartaruga, a detonação ouvir-se-á mais tarde, surda, abafada como um corpo que cai. Demos tempo ao tempo. Não está mais ninguém na sala, ou quarto, ou varanda, ou terraço, ou; enquanto o som da queda não for ouvido, somos nós os senhores deste espectáculo, podemos até exercitar o sadismo de que, como o médico e o louco, temos felizmente um pouco, de uma forma, digamos já, passiva, só de quem vê e não conhece ou in limine rejeita obrigações sequer só humanitárias de acudir. A este velho não.

Vai a cair para trás. Aí vai. Aqui, mesmo em frente dele, lugar escolhido, podemos ver que tem o rosto comprido, o nariz adunco e afiado como um gancho que fosse também navalha, e se não se desse o caso de ter aberto a boca neste instante, teríamos o direito, aquele direito que tem toda e qualquer testemunha ocular, que por isso diz eu vi, de jurar que não há lábios nela. Mas abriu-a, abre-a de susto e surpresa, de incompreensão, e assim é possível distinguir, embora com pouca precisão, dois rebordos de carne ou larvas pálidas que só pela diferença de textura dérmica se não confundem com a outra palidez circundante. A barbela estremece sobre a laringe e mais cartilagens, e o corpo todo acompanha a cadeira para trás, e no chão já rolou para o lado, não longe, porque todos devemos assistir, o pé da cadeira partido. Espalhou uma poeira amarela aglomerada, verdade que não muita, mas bastante para em tudo isto nos comprazermos na imaginação duma ampulheta cuja areia se constituísse escatologicamente das dejecções do coleóptero: por onde se vê a que ponto seria absurdo meter aqui Buck Jones e o seu cavalo Malacara, isto supondo que Buck mudou de cavalo na última estalagem e monta agora o cavalo de Fred. Deixemos porém este pó que não é sequer enxofre, e que bem ajudaria o cenário se o fosse, ardendo com aquela chama azulada e soltando aquele seu malcheiroso ácido sulfuroso, á rima. Seria uma óptima maneira de o inferno aparecer assim como tal, enquanto a cadeira de belzebu se parte e cai para trás arrastando consigo satanás, asmodeu e legião.

O velho já não segura os braços da cadeira, os joelhos subitamente não trémulos obedecem agora a outra lei, e os pes que sempre calçaram botas para que se não soubesse que são bifurcados (ninguém leu a tempo e com atenção, está lá tudo, a dama pé de cabra), os pés já estão no ar. Assistiremos ao grande exercício ginástico, o mortal para trás, muito mais espectacular este, embora sem público, do que os outros vistos em estádios e jamores, do alto da tribuna, no tempo em que as cadeiras ainda eram sólidas e o Anobium uma improvável hipótese de trabalho. E não está ninguém que fixe este momento. O meu reino por uma polaroid, gritou Ricardo III, e ninguém lhe acudiu porque pedia cedo de mais. O nada que temos em troca deste tudo de mostrar o retrato dos filhos, o cartão de sócio e a vera imagem da queda. Ai estes pés no ar, cada vez mais longe do chão, ai aquela cabeça cada vez mais perto, ai Santa Comba, não santa dos aflitos, santa padroeira sim daquele que sempre os afligiu. As filhas do Mondego a morte escura ainda por agora não choram. Esta queda não é uma qualquer queda de Chaplin, não se pode repetir outra vez, é única e por isso excelente, como quando juntos estiveram os feitos de Adão e as graças de Eva. E por nela termos falado, Eva doméstica e serviçal, mandante na proporção, benfeitora de desempregados se sóbrios, honestos e católicos, buraco de martírio, poder medrado e merdado à sombra deste Adão que cai sem maçã nem serpente, onde estás? Tempo de mais te demoras na cozinha, ou ao telefone atendendo as filhas de Maria ou as escravas do Sagrado Coração ou as pupilas de Santa Zita, muita água desperdiças na rega das begónias envasadas, muito te distrais, abelha-mestra que não acodes, e se acudisses a quem acudirias? Ë tarde. Os santos estão de costas, assobiam, fingem-se distraídos, porque sabem muito bem que não há milagres, que nunca os houve, e quando alguma coisa de extraordinário se passou no mundo, a sorte deles foi estarem presentes e aproveitarem. Nem S. José, que no seu tempo foi carpinteiro, e melhor carpinteiro que santo, seria capaz de colar aquela perna da cadeira a tempo de evitar a queda, antes de este novo campeão da ginástica portuguesa dar o seu salto mortal, e Eva doméstica e governanta aparta agora os três frasquinhos de pílulas e gotas que o velho tomará, uma de cada vez, antes, durante e depois da próxima refeição.

O velho vê o tecto. Vê apenas, não tem tempo de olhar. Agita os braços e as pernas como um cágado virado de barriga para o ar, e logo a seguir é muito mais um seminarista de botas a masturbar-se quando vai a férias a casa dos senhores pais que andam na eira. É só isso, e nada mais. Suave terra, e bruta, e simples, para pisar e depois dizer que tudo são pedras, e que nascemos pobres e pobres felizmente morreremos, e por isso estamos na graça do Senhor. Cai, velho, cai. Repara que neste momento tens os pés mais altos do que a cabeça. Antes de dares o teu salto mortal, medalha olímpica, farás o pino como o não foi capaz de fazer aquele rapaz na praia, que tentava e caía, só com um braço porque o outro lhe tinha ficado em África. Cai. Porém, não tenhas pressa: ainda há muito sol no céu. Podemos mesmo, nós que assistimos, chegar a uma janela e olhar para fora, descansadamente, e daqui ter uma grande visão de cidades e aldeias, de rios e planícies, de serras e searas, e dizer ao diabo tentador que precisamente é este o mundo que queremos, pois não é mal desejar alguém o que é seu próprio. Com os olhos deslumbrados, voltamos para dentro e é como se não estivesses: trouxemos demasiada luz para dentro do quarto e temos de esperar que ela se habitue ou volte lá para fora. Estás enfim mais perto do chão. Já o pé são e o pé mocho da cadeira resvalaram para a frente, todo o equilíbrio se perdeu. Distinguem-se os prenúncios da verdadeira queda, o ar deforma-se em redor, os objectos encolhem-se de susto, vão ser agredidos, e todo o corpo é um retorcimento crispado, uma espécie de gato reumatico, por isso incapaz de dar no ar a última volta que o salvaria, com as quatro patas no chão e um baque macio, de bicho vivíssimo. Mal colocada se vê quanto esta cadeira foi, sobre o mau que já era, mas não sabido, de ter o Anobium dentro de si: pior, realmente, ou tão mau éaquela aresta, ou bico, ou canto de móvel que estende o seu punho fechado para um ponto no espaço, por enquanto ainda livre, ainda desafogado e inocente, onde o arco de círculo feito pela cabeça do velho irá interromper-se e ressaltar, mudar por um instante de direcção e depois voltar a cair, para baixo, para fundo, inexoravelmente puxado por esse duende que está no centro da terra com biliões de cordelinhos na mão, para baixo e para cima, fazendo em baixo o mesmo que cá em cima fazem os homens das marionetas, até ao último puxão mais forte que nos retira da cena. Não será para o velho ainda esse tempo, mas é evidente que cai para tornar a cair outra vez e última. E agora que espaço há, que espaço resta entre o canto do móvel, o punho, a lança em África, e o lado mais frágil da cabeça, o osso predestinado? Podemos medir e ficaremos espantados com o pouquíssimo espaço que falta percorrer, repare-se, não cabe um dedo, nem tal, muito menos do que isso, uma unha, uma lâmina de barbear, um cabelo, um simples fio de bicho-da-seda ou de aranha. Tempo ainda resta algum, mas o espaço vai acabar-se. A aranha expeliu mesmo agora o seu último filamento, remata o casulo, a mosca já está fechada.

É curioso este som. Claro, de uma certa maneira claro, para não deixar dúvidas às testemunhas que somos, mas abafado, surdo, discreto, para que não acudam cedo de mais Eva doméstica e os Cains, para que tudo se passe entre o só e o sozinho, como convém a tanta grandeza. A cabeça, como estava previsto e cumpre as leis da física, bateu e ressaltou um pouco, digamos, uma vez que estamos perto e outras medições tínhamos acabado de fazer, dois centímetros para cima e para o lado. Daqui para diante, a cadeira já não importa. Não importaria sequer o resto da queda, agora pleonástica. O projecto de Buck Jones incluía, já foi dito, uma trajectória, previa um ponto. Aí está.

Quanto agora se passe, é pelo lado de dentro. Antes se diga, porém, que o corpo voltou a cair, e a cadeira acompanhante, de que não mais se falará ou apenas por alusão. Ë indiferente que a velocidade do som iguale subitamente a velocidade da luz. O que tinha de acontecer, aconteceu. Eva pode acorrer ansiosa, murmurando orações como nunca se esquece de fazer nas ocasiões adequadas, ou desta vez não, se é verdade os cataclismos privarem de voz, embora não de grito, as suas vítimas. Por isso Eva doméstica, buraco de martírio, se ajoelha e faz perguntas, agora faz, porque o cataclismo já lá vai, já passou, e restam os efeitos. Não tarda que de todos os lados venham subindo os Cains, se não é injusto afinal chamar-lhes assim, dar-lhes o nome de um infeliz homem de quem o Senhor desviou a sua face, e por isso humanamente tirou vingança de um irmão lambe-botas e intriguista. Também lhes não chamaremos abutres, ainda que se movam assim, ou não, ou sim: mais exacto, do duplo ponto de vista morfológico e caracterológico, seria incluí-los no capítulo das hienas, e esta é uma grande descoberta. Com a ressalva importante de que as hienas, tal como os abutres, são úteis animais que limpam de carne morta as paisagens dos vivos e por isso lhes haveremos de agradecer, ao passo que estes são ao mesmo tempo a hiena e a sua própria carne morta, e esta é que é afinal a grande descoberta que foi dita. O perpetuum mobile, ao contrário do que continuam a imaginar os inventores ingénuos de domingo, os iluminados taumaturgos do carpinteirismo, não é mecânico. É sim biológico, é esta hiena que se alimenta do seu corpo morto e putrefacto e assim constantemente se reconstitui em morte e putrefacção. Para interromper o ciclo, nem tudo basta, mas a mínima coisa abundaria. Algumas vezes, se Buck Jones não estava ausente do outro lado da montanha a perseguir uns simples e honestos ladrões de gado, uma cadeira serviria, e um sólido ponto de apoio no espaço para levantar o mundo, como disse Arquimedes a Híeron de Siracusa, e para romper os vasos sanguíneos que os ossos do crânio julgavam proteger, e em sentido próprio se escreve julgavam porque mal parecia que ossos tão vizinhos do cérebro não fossem capazes de realizar, pelas vias de osmose ou simbiose, uma operação mental tão ao alcance como é o simples julgar. E ainda assim, se interrompido esse ciclo, haverá que estar atentos ao que no ponto de ruptura dele pode enxertar-se, e poderá ser, aí não por enxerto, uma outra hiena nascendo do flanco purulento, como Mercúrio da coxa de Júpiter, se comparações destas, mitológicas, são consentidas. Esta porém seria outra história, quem sabe se já contada.

Eva doméstica saiu daqui a correr, e também a gritar e a dizer palavras que não vale a pena registar, tão iguais são, que pouca diferença fazem, salvo no estilo medieval não tanto, àquelas que disse Leonor Ides quando lhe mataram o Andeiro, e mais era rainha. Este velho não está morto. Desmaiou apenas, e nós podemos sentar-nos no chão, de pernas cruzadas, sem nenhuma pressa, porque um segundo é um século, e antes que aí cheguem os médicos e os maqueiros, e as hienas de calça de lista, chorando, uma eternidade se passará. Observemos bem. Pálido, mas não frio. O coração bate, o pulso está firme, parece o velho que dorme, e querem ver que tudo isto foi afinal um grande equívoco, uma monstruosa maquinação para separar o bem do mal, o trigo do joio, os amigos dos inimigos, os que estão a favor apartados dos que estão contra, posto o que Buck Jones teria sido, em toda esta história de cadeira, um reles e nojento provocador.

Calma, portugueses, escutai e tende paciência. Como sabeis, o crânio é uma caixa óssea que contém o cérebro, o qual vem a ser, por sua vez, conforme podemos apreciar neste mapa anatómico a cores naturais, nem mais nem menos que a parte superior da espinhal medula. Esta, que ao longo do dorso vinha de apertada, tendo encontrado espaço ali, desabrochou como uma flor de inteligência. Repare-se que não é gratuita nem despicienda a comparação. Ë grande a variedade de flores, e para o caso bastará lembrarmos, ou lembre cada um de nós aquela de que mais goste, e no ponto extremo, verbi gratia, aquela com que mais antipatize, uma flor carnívora, de gustibus et coloribus non disputandum, suposto que concordemos na detestação do que a si mesmo se desnatura, ainda que, por exigência daquele rigor mínimo que sempre deve acompanhar a quem ensina e a quem aprende, nos devêssemos interrogar sobre a justiça da acusação, e embora, outra vez para que nada fique esquecido, devamos interrogar-nos sobre o direito que uma planta tenha de se alimentar duas vezes, primeiro da terra e logo do que no ar voa na múltipla forma dos insectos, senão das aves. Reparemos, de caminho, quanto é fácil paralisar-se o juízo, receber de um lado e do outro informações, tomá-las pelo que dizem ser e ficar neutral, porque nos declaramos espírito indiviso e sacrificamos todos os dias no altar da prudência, nossa melhor fornicação. Porém não fomos neutrais enquanto assistimos a esta longa queda. E em pontos de prudência perca-se ao menos a suficiente para acompanhar, com a devida atenção, o movimento do ponteiro que passeia sobre este corte do cérebro.

Reparem, minhas senhoras e meus senhores, nesta espécie de ponte longitudinal composta de fibras: chama-se fórnice e constitui a parte superior do tálamo óptico. Por trás dela, vêem-se duas comissuras transversais que obviamente não devem ser confundidas com as dos lábios. Observemos agora do outro lado. Atenção. Isto que sobressai aqui são os tubérculos quadrigémeos ou lobos ópticos (não sendo aula de zoologia, a acentuação nos lobos faz-se forte no primeiro o). Esta parte ampla é o cérebro anterior, e aqui temos as célebres circunvuloções. Neste sítio, em baixo, está, evidentemente, toda a gente o sabe, o cerebelo, com a sua parte interna, chamada arbor vitae, que se deve, convém esclarecer, não vá julgar-se que estamos na aula de botânica, à plicatura do tecido nervoso num certo número de lamelas que dão origem, por sua vez, a pregas secundárias. Já falámos da medula espinhal. Repare-se nisto que não é uma ponte, mas que tem o nome de ponte de Varólio, que parece mesmo uma cidade da Itália, ora digam lá que não. Atrás está a medula alongada. Falta pouco para chegarmos ao fim da descrição, não se enervem. A explicação poderia ser, naturalmente, muito mais demorada e minuciosa, mas para isso só na autópsia. Limitemo-nos portanto a indicar a glândula pituitária, que é um corpo glandular e nervoso que nasce do pavimento do tálamo ou terceiro ventriculo. E, enfim, concluindo, informamos que esta coisa aqui é o nervo óptico, questão da mais alta importância, pois com isto ninguém ousará dizer que não viu o que neste lugar se passou.

E agora, a pergunta fundamental: para que serve o cérebro, vulgo miolos? Serve para tudo porque serve para pensar. Mas, atenção, não vamos nós cair agora na superstição comum de que tudo quanto enche o crânio está relacionado com o pensamento e os sentidos. Imperdoável engano, senhoras e senhores. A maior parte desta massa contida no crânio não tem nada que ver com o pensamento, não risca nada para aí. Só uma casca muito fina de substância nervosa, chamada córtice, com cerca de três milímetros de espessura, e que cobre a parte anterior do cérebro, constitui o Órgão da consciência. Repare-se, por favor, na perturbadora semelhança que há entre o que chamaremos um microcosmo e o que chamaremos um macrocosmo, entre os três milímetros de córtice que nos permitem pensar e os poucos quilómetros de atmosfera que nos permitem respirar, insignificantes uns e outros e todos, por sua vez, em comparação nem sequer com o tamanho da galáxia, mas com o simples diâmetro da terra. Pasme¬mos, irmãos, e oremos ao Senhor.

O corpo ainda aqui está, e estaria por todo o tempo que quiséssemos. Aqui, na cabeça, neste sítio onde o cabelo aparece despenteado, é que foi a pancada. À vista, não tem importância. Uma ligeiríssima equimose, como de unha impaciente, que a raiz do cabelo quase esconde, não parece que por aqui a morte possa entrar. Em verdade, já lá está dentro. Que é isto? Iremos nós apiedar-nos do inimigo vencido? É a morte uma desculpa, um perdão, uma esponja, uma lixívia para lavar crimes? O velho abriu agora. os olhos e não consegue reconhecer-nos, o que só a ele espanta, mas a nós não, que nos não conhece. Treme-lhe o queixo, quer falar, inquieta-se como ali chegámos, julga-nos autores do atentado. Nada dirá. Pelo canto da boca entreaberta corre-lhe para o queixo um fio de saliva. Que faria a irmã Lúcia neste caso, que faria se aqui estivesse, de joelhos, envolta no seu triplo cheiro de bafio, saias e incenso? Enxugaria reverente a saliva, ou, mais reverente ainda, se inclinaria toda para diante, prosternada, e com a língua apararia a santa secreção, a relíquia, para guardar numa ampola? Não o dirá a história sacra, não o dirá, sabemos, a profana, nem Eva doméstica reparará, coração aflito, na injúria que o velho pratica babando sobre o velho.

Já se ouvem passos no corredor, mas temos ainda tempo. A equimose tornou-se mais escura e o cabelo parece arripiado sobre ela. Uma passagem carinhosa de pente poderia compor tudo nesta superfície que vemos. Mas seria inútil. Sobre outra superfície, a do córtice, acumula-se o sangue derramado pelos vasos que a pancada seccionou naquele ponto preciso da queda. Ë o hematoma. É lá que neste momento se encontra o Anobium, preparado para o segundo turno. Buck Iones limpou o revólver e mete novas balas no tambor. Já aí vêm, buscar o velho. Aquele raspar de unhas, aquele choro, é das hienas, não há ninguém que não saiba. Vamos até à janela. Que me diz a este mês de Setembro? Há muito tempo que nao tínhamos um tempo assim. Supostamente.

Fim

Autor: José Saramago



Encontrei o texto neste   site, onde há também um arquivo de áudio onde ele é lido.

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